
Sorte a minha de me oferecerem bilhete para esta peça, pensei. Escrita pelo Peixoto (meu ex-modelo literário, após a fase Jacinto Lucas Pires, ehehe!), só esperava o melhor. Não posso afirmar que saí da sala grandemente desiludida, no entanto há que ser franca: o Peixoto quer-se no papel e mais nada! Aquele jogo emocional de palavras só resulta bem na escrita, num universo pessoal, nosso, o qual podemos distender no tempo pelo período que quisermos, saboreando-o, desenvolvendo-lhe novos tentáculos e interpretações. E sensações, acima de tudo. Os textos dele são povoados de sensações.
Continuando, assistir à peça é um momento bem passado, e não muito mais que isso (e mesmo assim coloco as minhs reticências, já que não é nada agradável partilhar a sala com público símio que manda bocas e emite ruídos estranhos durante a peça). Talvez porque não esteja muito próxima do que é a vida esquecida do meio rural, nem tenha grande interesse em desenvolver o tópico, não sei bem. Gostei essencialmente do trabalho dos actores e actrizes, tanto no que diz respeito ao domínio da linguagem (houve direito a glossário e tudo, para compreendermos aquele dialecto do sul!), como do corpo (interpretação de personagens idosas).
Li recorrentemente a associação desta obra a uma identidade portuguesa. Não concordo. Denota-se claramente um esforço (e muito certamente um estudo prévio) para obter uma aproximação a uma dada população, logo a uma determinada identidade. Contudo, tal não implica que essa identidade seja exclusivamente portuguesa - ou de uma região portuguesa. Actualmente, as fronteiras territoriais que marcavam os limites identitários parecem-me já não fazer grande sentido, uma vez que as tendências de acção e as estruturas que as moldam são praticamente universais. Funcionamos cada vez mais numa dinâmica trans-nacional. A região retratada na peça não é certamente a única no mundo a ser alvo de esquecimento (auto e hetero) e desertificação. Nem com uma população parca, idosa, íntima conhecedora da emigração, e sem referências vitais. Esta fotografia poderia ter sido tirada certamente noutras zonas "vazias" (roubadas?) do globo.
Um pequeno aparte... Confesso aqui entre vós que foi a primeira vez que fui ao São Luiz (shame on me). E confirma-se, a sala é realmente fantástica como a pintavam.
January 28 2006, 16:50:25 UTC 6 years ago
tenho dois amigos que entram lá e seria má onda não ir lol
:P
ou pior, má onda se não me convidarem, cof cof cof
January 28 2006, 17:38:31 UTC 6 years ago
January 28 2006, 17:42:52 UTC 6 years ago
:x
January 28 2006, 17:47:48 UTC 6 years ago
January 28 2006, 18:29:24 UTC 6 years ago
January 28 2006, 18:49:05 UTC 6 years ago
January 28 2006, 18:56:18 UTC 6 years ago
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